quinta-feira, 18 de setembro de 2008

UM COLAR VALIOSO



UM COLAR VALIOSO
Usar, por alguns dias, a pulseira da mãe, era o sonho de consumo do pequeno Pedro, de seis anos de idade.
Eles eram pobres, e a pulseira não tinha muito valor, mas tanto o garoto insistiu que a mãe lhe entregou, recomendando que tomasse cuidado.
Pedro colocou o cordão no pulso e se sentiu o homem mais feliz do bairro.
Jogava futebol com os amigos, de pulseira.
Ia comprar pão, com a pulseira, e na escola, ele exibia sua preciosidade sempre que podia.
As semanas se passaram e, como sempre acontece com as crianças, um dia aconteceu com Pedro. Uma distração, e ele se deu conta de que havia esquecido a pulseira em algum lugar.
Procurou por todos os cantos e... nada.
Ele estava sozinho em casa. A mãe estava no trabalho. Mas, e quando ela chegasse, como lhe contaria a tragédia?
Mil preocupações surgiram naquela cabeça infantil.
E a mais cruel era a de ter perdido o que ele considerava ser o único tesouro de sua mãe.
Depois de muitas cogitações, tomou uma difícil decisão: iria embora de casa.
Jogou algumas roupas dentro da velha sacola, e saiu porta afora.
Não foi muito longe e ouviu uma voz bem conhecida... Era o Sr. Severino, um velhinho bom que morava na vizinhança.
Ei, aonde você vai com essa trouxa nas costas, Pedro?
(Preocupar-se com os filhos alheios não é muito comum nos grandes centros, mas, nos vilarejos de gente pobre, os vizinhos se importam uns com os outros.)
Vou embora, respondeu, cabisbaixo, o menino.
Mas a sua mãe não está em casa.
É melhor você esperar que ela chegue, senão ela ficará aflita quando não o encontrar.
O garoto costumava ouvir os mais velhos, então voltou, é claro, na companhia do velho Severino.
Quando a mãe chegou, já estava escuro. Mal entrou e já sentiu algo no ar, pois as mães sempre sentem quando tem alguma coisa errada com seus filhos.
O que houve, Sr. Severino?, perguntou logo.
Ele se aproximou e falou baixinho o que havia acontecido. Ela, já em lágrimas, entrou no quarto, onde o pequeno Pedro estava escondido, e o abraçou com ternura.
Meu filho, você ia embora sem avisar a mãe?
Por que ia fazer isso, meu anjo?
Mãe, lembra daquela pulseira que você me emprestou e me pediu para ter cuidado?
Sim, disse a mãe.!
Eu não sei como aconteceu, mas perdi, mãe.
Quando notei, eu procurei, procurei, mas não achei. Então fiquei com medo e com vergonha, e por isso eu ia embora de casa, prá não ver você triste.
Ora, filho, eu ia ficar muito triste se você tivesse ido. Nunca mais pense nisso!
E a pulseira? Perguntou, mais aliviado.
Ah, meu anjo, aquela pulseira tinha pouco valor. Um dia, quem sabe, nós compramos outra.
Mãe, eu quero lhe dar um belo colar. Você sabe quanto custa um?
Não faço idéia, mas já tenho o colar mais valioso do mundo. E sabe qual é?
Não, mãe, eu nunca vi você de colar.
Pois bem, disse a mãe, puxando os bracinhos do filho e os envolvendo no pescoço.
Filho, o seu abraço é o colar mais valioso do mundo, para mim. E eu desejo tê-lo para sempre. Promete que nunca mais vai pensar em ir embora?
Pedro sorriu, aliviado, e encheu o rosto da mãezinha de beijos.
* * *
Não há tesouro mais valioso do que os filhos.
Um filho é a prova da confiança de Deus aos pais.
Mas os filhos nem sempre sabem que são valiosos para seus pais. É preciso dizer isso a eles, sempre.
E você, já disse isso ao seu filho, hoje?
Redação do Momento Espírita.Disponível no CD Momento Espírita, v. 11, ed. FepEm 22.04.2008.
Foto:By:Miss Gang.Todos os Direitos Reservados.
Texto publicado conforme autorização por escrito do M.E.
LISON.F.R.C.

FAÇA O SEU MELHOR




FAÇA O SEU MELHOR
Deus não criou os Espíritos perfeitos, mas aperfeiçoáveis e perfectíveis.
Trata-se de uma constatação muito fácil de ser feita.
Basta olhar em volta para perceber homens e mulheres com tendências e talentos variados.
Em uns, avulta a inteligência.
Em outros, a delicadeza de sentimentos chama a atenção.
Há quem tenha considerável talento artístico.
No princípio, eles eram extremamente parecidos em sua singeleza.
No final dos processos, todos serão perfeitos.
Na atualidade, sua força e sua fraqueza denotam os caminhos que escolheram trilhar em sua jornada evolutiva.
Como seres imperfeitos, já muito erraram e outros erros ainda cometerão.
Mas isso não é de causar estranheza e a vida propicia modos de reparação de todo o mal causado.
A Misericórdia Divina é infinita e auxilia a todos.
Basta ter boa vontade para se recompor.
Ou seja, estar disposto a trabalhar firme em favor do progresso.
É preciso que os talentos amealhados ao longo do tempo sejam utilizados de forma construtiva.
Quem possui cintilante inteligência necessita empregá-la no esclarecimento dos irmãos de caminhada.
Os cientistas têm o dever de, mediante suas descobertas e criações, propiciar vida mais longa e confortável aos semelhantes.
O talento artístico deve chamar a atenção para as maravilhas da criação.
A música, a pintura, a representação, toda forma de arte tem a vocação de ser um convite à apreciação do belo e do sublime.
Qualquer que seja o talento, ele pode e deve ser utilizado no bem.
Não é lícito enterrar os talentos recebidos, conforme ensina a famosa passagem evangélica.
Eles representam o meio de que cada Espírito dispõe para reabilitar-se perante a Consciência Cósmica.
Se cometeu equívocos no processo de aprendizado e amadurecimento, também desenvolveu variados dons.
A utilização desses dons deve funcionar como o amor que cobre a multidão de pecados, na feliz expressão do apóstolo Pedro.
Bem se vê que errar para aprender não é tão grave assim.
Basta ter a coragem de assumir as conseqüências dos próprios equívocos e tratar de repará-los.
Como o passado espiritual se esfumaça no processo reencarnatório, a vida manda alguns lembretes.
Eles se apresentam na forma dos parentes problemáticos, do chefe difícil, do convite para trabalhar por uma causa.
O talento que se tem é o indicativo da tarefa a ser feita.
O mesmo ocorre com o contexto social em que se é inserido.
Assim, tenha boa vontade e faça o seu melhor, em todas as circunstâncias de sua vida.
O bem que você hoje pratica representa a sua gratidão pelos talentos e oportunidades com que a vida o brindou, ao longo dos milênios.
Pense nisso.
Redação do Momento Espírita.Em 17.09.2008.
Texto publicado conforme autorização por escrito do M.E.
Foto:By:Anithing Beautful. Todos os Direitos Reservados
LISON.F.R.C.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

OS QUATRO JUSTOS

    • Os quatro justos

    • Por Pedro J. Bondaczuk

    • O mundo carece, mais do que nunca, neste início de milênio, de pessoas absolutamente justas, que respeitem os direitos alheios às últimas conseqüências, reconheçam os méritos dos que os têm, se disponham a ajudar os que necessitam (quer no plano material, quer, e principalmente, no psicológico e espiritual) e que simbolizem e dignifiquem o que o homem tem de mais lúcido, valioso e nobre.

      Existem seres humanos assim? Jorge Luiz Borges achava que sim (e eu também acho). Ocorre que são como grãos de areia num vasto areal; gotas de água num imenso oceano de egoísmo, violência e injustiças; isoladas estrelas em meio a bilhões de galáxias. Muitas vezes, topamos com eles e sequer os reconhecemos. Não que suas virtudes não saltem aos olhos. Nossa crônica (e justificada) desconfiança é que nos impede de os reconhecer, valorizar e imitar.

      Os exemplos que temos, no cotidiano, desde a infância à nossa velhice, são, exatamente, opostos às suas desejáveis virtudes, entre as quais, uma das principais é a discrição. Eles não saem por aí apregoando seus méritos. Agem, em vez de falar. E suas ações eficazes impedem que o mundo, cheio de tantas desgraças, patifarias e contradições, seja ainda pior.

      Li, recentemente, matéria, no site UOL, que me deixou pasmo e ao mesmo tempo revoltadíssimo e desanimado com as pessoas e, sobretudo, com esta geração. Trata-se de estimativa, divulgada pelo Banco Mundial (BIRD), de que a corrupção consome, a cada ano, a “bagatela” de mais de US$ 1 trilhão! Ou seja, uma fortuna que supera o Produto Interno Bruto (PIB) de praticamente todos os países do mundo, exceção dos EUA, China, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, França e Itália e que, praticamente, se iguala ao do Brasil. Barbaridade! Isso é que é roubo, para ladrão algum botar defeito!

      E isso ocorre todos os anos, com ligeiras variações (sempre para mais, claro). Infelizmente, neste caso, o crime compensa (e como!). O mais revoltante de tudo é que esses cínicos e insensíveis ladrões andam impunes por aí, arrotando escandalosa arrogância, passando-se por defensores da moral e dos bons costumes e exibindo uma riqueza que não lhes é devida, fruto que é de um crime (ou de vários, para ser mais exato).

      Caso algum jornalista os identifique, e divulgue seus nomes, mesmo que apresente provas, estará frito! Se verá às voltas com toneladas de processos de injúria, calúnia e difamação, acolhidos por juízes venais e corruptos que não honram suas togas, isto se não for “eliminado” antes por algum matador profissional, a soldo desses pilantras. Eu é que não entro nessa. Afinal... prefiro ser um covarde vivo...

      O BIRD chegou a esses números astronômicos, a essa revoltante constatação, a essa mega-patifaria após avaliar dados econômicos de mais de 200 países. Claro que essa é apenas a ínfima ponta visível de um iceberg. O verdadeiro montante do prejuízo que a corrupção traz para a saúde, para a educação, para os transportes etc.etc.etc. nunca será completamente apurado. Afinal, bandido que se preze não deixa vestígios que os incriminem de seus roubos contumazes.

      As formas mais comuns que esses celerados, esses assaltantes engravatados se utilizam, para lesar as respectivas sociedades nacionais (longe, contudo, de serem as únicas) são os esquemas de superfaturamento de projetos públicos, geralmente supérfluos e/ou desnecessários (como pontes que ligam o nada a lugar algum, por exemplo) e pagamentos de propinas a servidores venais, canalhas e traidores contumazes da confiança que os que os contrataram (quando não são seus cúmplices) neles depositaram e depositam.

      Matérias, como essa, querido leitor, me dão nojo, reviram-me o estômago, deixam-me doente! É por causa dessas bandalheiras que não acreditamos em nada e ninguém, muito menos na existência desses varões probos e irrepreensíveis que, no entanto, certamente existem. Devem existir! Têm que existir! 

      As palavras exatas de Borges (que, desconfio, foi uma dessas pessoas exemplares, embora, invariavelmente, talvez por genuína modéstia, procurasse demonstrar o contrário), são: “Não há geração sem quatro homens retos, que secretamente sustentam o universo e o justificam diante do Senhor. Um desses varões teria sido o juiz mais idôneo. Mas, onde encontrá-los, se andam perdidos e anônimos pelo mundo, e não se reconhecem quando se vêem, e nem eles mesmos sabem do alto ministério que cumprem?” 

      Sim, querido leitor, como encontrar esses quatro justos da nossa geração, entre 6,7 bilhões de habitantes do mundo, que, além de tudo, não param de se multiplicar, como ratos, como baratas, como ervas daninhas?! O que são quatro, face a tamanha multidão?! São ou não são como grãos de areia num vasto e interminável areal; como quatro gotas de água num oceano mais vasto do que o Pacífico ou como dois pares de estrelas entre bilhões de galáxias do universo?! Mas, apesar de tudo, existem...
    • http://planetanews.com/
    • Texto publicado conforme autorização por escrito do site Planeta News.
      Pedro J. Bondaczuk é jornalista e escritor, autor do livro “Por Uma Nova Utopia”
      ___________________________________________________________
    • LISONF.R.C.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

UM AMOR ALÉM DO TEMPO


UM AMOR ALÉM DO TEMPO
Até onde vai a sua capacidade de amar? Por quanto tempo você continuaria a amar alguém que desaparecesse de sua vida?

Foi a inimaginável condição de amar daquela mulher chinesa que chamou a atenção da jornalista.
Quando entrou em sua sala, para a entrevista, as roupas tibetanas que portava exalavam um cheiro forte de pele de animal, leite azedo e esterco.
Era uma indumentária, ao mesmo tempo vestuário, mochila, esteira e travesseiro.
A túnica era provida de bolsos internos para livros e dinheiro. O lado de dentro da cintura da túnica escondia dois grandes sacos de couro, destinados a acondicionar comida para as viagens.
Para dormir, a túnica servia de esteira e os grandes sacos de couro de coberta.
Ela havia se casado nos idos de 1958. Menos de 100 dias depois, seu marido, um médico do exército chinês de libertação do povo, foi mandado para o Tibete.
Dois meses depois, ele foi dado como perdido.
A jovem esposa de 26 anos se recusou a aceitar a sua perda daquela forma e decidiu partir à sua procura.
Por onde andaria seu amor? Teria ela que resgatá-lo de alguma condição muito ruim?
Decidida, se juntou ao exército, na qualidade de médica. Era a única forma de viajar para o Tibete, naqueles anos difíceis.
Andou por terras montanhosas, habitadas por uma mistura de mongóis, tibetanos e chineses.
Shu Wen se tornou budista tibetana e procurou seu amor, durante 30 anos.
Experimentou o que era viver em silêncio, experienciou severas condições de vida, sentiu-se esmagar pela altitude, pelo vazio da paisagem...
O que terá sofrido aquela jovem, enquanto os anos lhe amadureciam a personalidade e lhe deixavam áspera a pele e trêmulas as mãos?
Ela testemunhou a incrível engenhosidade do povo tibetano, que consegue viver com escassos recursos.
Viu comida escondida na terra congelada para ser recolhida depois, madeira armazenada embaixo de pedras para servir de combustível, pedras empilhadas para indicar direções.
Conheceu homens que costuravam e mulheres multicoloridas que tilintam.
Porque as roupas tibetanas são feitas à base de couro e metal, costurá-las é um trabalho fisicamente pesado, pelo que é, principalmente, uma ocupação masculina.
E as mulheres tibetanas, não importa quão pobres sejam, dão grande importância às suas jóias. Por isso, onde quer que vão, quando se movem, lá está o tilintar de sininhos e guizos.
Trinta anos de peregrinação por regiões inóspitas, enfrentando frio, fome, solidão. Sempre adiante.
Uma mulher que aprendeu a se defender do tempo, da maldade e alimentou a sua busca com a doçura do amor reservado para quem era o objeto de todas suas andanças: o marido.
* * *
Nesses dias, em que os relacionamentos conjugais parecem tão frágeis, em que os consórcios se desfazem por tudo e por nada, o exemplo dessa mulher leva a concluir que o verdadeiro amor não morre nunca.

O verdadeiro amor tudo vence, porque guarda a certeza de que o ser amado é credor inconteste de sua dedicação, paixão, luta e esperança.
Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita com base no cap. 25 de junho de 2004, do livro O que os chineses não comem, de Xinran, ed. Companhia das Letras.Em 16.08.2008.

Texto publicado conforme autorização por escrito do M.E.
Foto:By:Ojoqtv.Todos os Direitos Reservados.
LISON.F.R.C.